Pessoas Feias e Pessoas Pobres

“Não existem pessoas feias, o que existem são pessoas pobres.”

A palavra “pobre” tem uma conotação muito forte, e a afirmação acima é um tanto equivocada, uma vez que até pessoas com poder aquisitivo menos favorecido são capazes de ficar bonitas. Trata-se apenas da questão de querer se cuidar; então, nesse caso, a frase só faria sentido se usássemos a palavra “pobre” não no sentido financeiro, e sim no sentido de pobreza de espírito.

Beleza e cuidado são dois conceitos que estão muito associados, por exemplo, uma mulher não precisa ir até a manicure e gastar muito dinheiro para ficar bonita, ela mesma pode cuidar de suas unhas em casa, por exemplo. Ou ainda, ela pode usar uma roupa bonita, mesmo que não seja de nenhuma grife famosa. O ponto chave nesse contexto é ter bom gosto, e para isso, nem sempre o dinheiro é necessário.

Cada indivíduo deve entender o que o seu próprio tipo físico permite, e não apenas usar o que está na moda. A pessoa deve se cuidar, independente de sua situação financeira. Entende-se como cuidado, ações como, por exemplo, lavar o cabelo, escovar os dentes, utilizar algum tipo de maquiagem, lixar as unhas, usar uma roupa limpa e bem passada etc. Além disso, é preciso sempre buscar o equilíbrio emocional, uma vez que uma pessoa pode até estar com uma roupa limpa e mesmo assim não estar bonita, se seu estado de espírito não estiver favorável a isso.

Cabe lembrar também a importância da questão da vaidade nesse contexto. A vaidade natural é saudável, porém, sem passar do ponto de forma desmedida, esse excesso pode ser muito prejudicial, e a busca incessante pela beleza pode trazer prejuízos físicos e psicológicos para as pessoas.

Beleza e valores internos

Hans Urs von Balthasar, teólogo holandês, associou o senso da beleza com o religioso. Segundo ele, Deus é belo porque se põe ao lado daquele que é humano. Afinal de contas, qual a relação da beleza com bom senso, caráter e valores internos? Esse tipo de beleza surge de cada um, a partir do momento em que um indivíduo tem caráter e é idôneo, então ele pode ser considerado uma pessoa bela. Porém, as pessoas que apresentam esse desvio de comportamento, muitas vezes nem sequer percebem que estão no caminho errado. Ou seja, a pessoa eventualmente pode acreditar que está caminhando corretamente com seu comportamento, quando na verdade está indo pelo caminho oposto. De nada adianta um indivíduo ser belo, porém vazio.

Beleza e faixa etária

Além disso, podemos notar que o padrão de beleza também muda à medida que as pessoas amadurecem, e conforme as situações vão sendo vivenciadas. Por exemplo, aos 18 anos, as pessoas apresentam um comportamento de padrão de beleza, aos 25 anos, isso já poderá ter mudado, e aos 40, novamente pode haver uma mudança. Ou seja, essa é uma questão que depende muito da faixa etária em que o individuo se encontra. Existem determinadas faixas etárias nas quais a mídia e a sociedade acabam influenciando muito nas decisões e pensamentos. Já em outras faixas etárias, isso ocorre com menor frequência, pois a pessoa se sente mais centrada, passa a se aceitar e a se descobrir bela. Esse ato de se descobrir bonito é algo muito importante, e a partir daí cada indivíduo irá construir seu próprio padrão de beleza.

Ao analisarmos estudantes universitários no início da graduação, por exemplo, iremos perceber um tipo de perfil, e no final dessa mesma graduação, já é possível perceber mudanças em seu comportamento, o que geralmente acaba sendo progressivo e próprio para cada pessoa. Trata-se de um amadurecimento natural do ser humano, ainda que possam existir alguns indivíduos que nunca irão amadurecer. Entretanto, para a maioria das pessoas, à medida que o tempo passa, a tendência é que cada um encontre o que existe de bonito em si mesmo, e então passe a investir nisso.

Finalmente, podemos entender que é impossível dissociar beleza com a construção do ser na sua totalidade. A pessoa bela é realizada, e a pessoa realizada transmite beleza.



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